Disfunção Erétil (DE)

O que é?

É a incapacidade persistente de obter e manter uma ereção suficiente para uma função sexual satisfatória.

Apesar do impacto negativo que essa disfunção causa apenas 20% das pessoas com essa dificuldade procuram ajuda (Morgentaler, 2004). Na média dos casos levam 3 anos para procurar ajuda de um especialista em sexualidade.

Essa disfunção, embora não seja uma ameaça à vida, pode afetar, e muito, as relações interpessoais bem como comprometer a qualidade de vida de homens e mulheres. O homem pode evitar contatos sociais por temer mais uma falha. Pode começar evitar a esposa porque sabe que vai falhar novamente. Isso é terrível para esses homens, causa muito sofrimento. Mexe diretamente com sua masculinidade, e isso vai prejudicando outros aspectos da sua vida. Ao analisarmos essa pessoa, encontramos vários fatores como família, cultura, auto-regras, dogmas, mitos, que estão muitas vezes bem distorcidas e isso precisa ser tratado.

No Brasil, segundo o estudo do Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil (2002) uma pesquisa realizada no ano 2000, em uma amostra populacional de 1286 homens com 40 a 70 anos apontam que 48,8% apresentam algum tipo de disfunção erétil. Um estudo semelhante com 1650 homens de 50 a 76 anos na zona rural no Estado de Nova York apontou um número de 46,3%. Na França foi encontrada numa população de 18 a 70 anos uma prevalência de 39%.

Com base nos estudos nacionais sobre epidemiologia da disfunção erétil, estima-se que atualmente no Brasil, aproximadamente 25 milhões de homens com mais de 18 anos sofram de algum grau de disfunção erétil, sendo 11,3 milhões apresentam disfunção moderada ou grave.

Uma pesquisa realizada sobre a vida sexual do brasileiro (Abdo, 2004), com uma amostragem de 2832 homens na faixa etária de 18 a 25 anos, observou-se que 46,2% apresentavam DE, sendo que 34,4% eram DE mínima, 10,7% DE moderado e 1,1% DE completa.

É preciso fazer uma diferença entre a disfunção erétil orgânica e a psicogênica:

Orgânico: é aquela que tem como origem problemas orgânicos.

Psicogênico: são aquelas que não se identificam com nenhuma causa orgânica, ou seja, sua origem é psicológica e isso implica em diversos fatores que podem ter gerado essa disfunção.

Fatores psicogênicos que podem desencadear a disfunção erétil:

•    Funções psíquicas alteradas por causa do estresse, abuso de drogas e/ou medicamentos, ansiedade e depressão;
•    Preocupação com o desempenho sexual (ex.: não posso falhar com essa mulher porque não serei aceito. Tenho que começar as carícias já com o pênis ereto. Tenho que ser um super-homem na cama e nunca falhar);
•    Pensamentos equivocados que são gerados por conceitos errôneos sobre a sexualidade (ex.: expectativas irreais, mitos, tabus, preciso ter um pênis grande para dar prazer à mulher);
•    Sentimentos e pensamentos que prejudicam a libido (ex.: culpa, vergonha, medo, timidez);
•    Insatisfação ou distorção da própria imagem corporal (ex.: envelhecimento, obesidade, tamanho do pênis);
•    Conflitos de identidade sexual (masculina ou feminina), de preferência sexual (parafilias) e de orientação sexual (homo, hetero, bissexualidade);
•    Acontecimentos ao longo da vida (ex.: separação, viuvez, dificuldades na relação, dificuldades financeiras, abuso sexual, traumas);
•    Dificuldades no relacionamento (ex.: falta ou diminuição do desejo sexual, problemas sexuais da outra pessoa, falta de admiração pela parceria, problemas na comunicação do casal, falta de atração física/sexual pela outra pessoa, infidelidade);

Quando a DE é de origem orgânica, é necessária a intervenção do médico e o uso de medicamentos apropriados.

No entanto, o que fazer quando a DE é de ordem psicológica? O que tenho observado na minha prática clínica, é uma dificuldade muito grande das pessoas para procurarem ajuda psicológica.

Essas pessoas relutam muito antes de tomar essa decisão. Somente após algumas perdas significativas, como por exemplo, rompimento da relação ou a ameaça de término, é que vão buscar ajuda especializada com um terapeuta sexual.

Curiosamente, após algum tempo de terapia eu costumo ouvir: “nossa, eu não sabia que eu iria enxergar tantas coisas erradas na minha vida”. Ou então, “quanto tempo perdi esperando muito para começar a me tratar”.

Existe ainda um preconceito sobre fazer terapia, pois as idéias de que terapia é coisa de louco ou de quem não tem mais o que fazer, infelizmente ainda existe. É uma pena! Só quem passa por um processo terapêutico saber dos benefícios e da importância para o crescimento pessoal.

Se DE for psicogênica, tentar tratar com medicamento pode no máximo atingir os sintomas e não a causa. O que significa que o problema vai continuar.

No entanto, em alguns casos, é importante um trabalho multidisciplinar, pois cada profissional terá conhecimentos específicos você cuidar da pessoa que precisa resolver essa dificuldade.

Bibliografia

Sociedade Brasileira de Urologia. Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil
Campinas, SP : BG Cultural, 2002.

Morgentaler, Abraham. O mito do viagra.
Trad. Marcos Maffei. Rio de Janeiro : Ediouro, 2004.

Abdo, Carmita. Estudo da vida sexual do Brasileiro. 2004.

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